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Resumo: O Número 7 dos Cadernos SOCIEDADE e TRABALHO é dedicado à temática
genérica da Protecção Social, um domínio de intervenção do Ministério do
Trabalho e da Solidariedade Social que tem merecido reflexão e propostas aprofundadas
de inúmeros especialistas (académicos, consultores, políticos, etc.), bem
como de entidades com competência e/ou interesse particular na matéria.
A (re)construção do modelo social europeu, o financiamento do sistema de
segurança social, o impacto das orientações de contenção da despesa pública
corrente sobre as reformas dos funcionários, a renovação das modalidades de
contratualização público-privado em matéria de protecção social – constituem
dimensões de análise e proposta que permanecem em aberto e devem motivar
reflexão de aprofundamento.
A entrada da Estratégia de Lisboa numa nova fase tem sido acompanhada
pela implementação dos programas nacionais de reformas no âmbito dos quais
os Estados-Membros assumem compromissos concretos para enfrentarem os
desafios do crescimento e do emprego.
As orientações integradas do Programa Comunitário de Lisboa encontram-
-se suportadas por três grandes sectores de intervenção que abrangem as dimensões
macroeconómica, microeconómica e o emprego e é interessante constatar
que, em todas elas, surge referenciada a problemática da protecção social, naturalmente
sob diferentes enfoques.
Na dimensão macroeconómica, o principal desafio reside na sustentabilidade
das finanças públicas a longo prazo, no contexto de uma sociedade em envelhecimento,
sendo apontadas como instrumentos essenciais as reformas dos
sistemas de pensões, da saúde e do mercado de trabalho. Em concreto, e tendo
presente a pressão que o envelhecimento da população europeia tenderá a exercer
sobre as finanças públicas ao longo das próximas décadas, reconhece-se
a “necessidade imperiosa de modernizar os regimes de reforma de pensões dos
sectores públicos e privados a fim de garantir a viabilidade das finanças públicas
e, simultaneamente, dar resposta às preocupações sociais e às mutações económicas”(*).
No entanto, é reconhecido igualmente o carácter fragmentário e insuficiente
das medidas já adoptadas ou previstas.
Na dimensão emprego é atribuída grande importância à necessidade de
“atrair e manter mais pessoas no mercado de trabalho”, a par de medidas destinadas
a ajudar os trabalhadores mais velhos a apoiar a integração dos jovens e
das pessoas mais desfavorecidas no mercado de trabalho e a modernizar os sistemas
de protecção social, ou seja, relevando os “compromissos assumidos, no
quadro dos objectivos da comunidade, em matéria de protecção e inclusão
social”.
Ainda nesta dimensão emprego, os programas nacionais de reforma têm
vindo a adoptar timidamente medidas destinadas a aumentar a capacidade de
adaptação dos trabalhadores reflectindo as dificuldades de promover a flexisegurança
que, sob condições favoráveis, deveria combinar contratos de trabalho
flexíveis e políticas de mercado de trabalho activas e eficazes (transição entre
empregos, aprendizagem ao longo da vida e protecção social adequada).
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