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Resumo: No presente estudo foi analisada a relação existente entre os salários e a produtividade do trabalho em Portugal, para a totalidade e para oito grandes sectores de actividade, no período entre 1986 e 2002.
Muito embora se tenha encontrado uma correlação forte entre o nível de remuneração média real e o da produtividade do trabalho, nos oito sectores de actividade em estudo, tendo esta correlação apresentado mesmo uma tendência de aumento, ao longo do período analisado, as ligações encontradas entre a variação da remuneração média real e a da produtividade do trabalho, quer para o total das actividades, quer para os oito grandes sectores de actividade, foram geralmente fracas.
Os resultados obtidos revelam que a relação entre os salários e a produtividade é mais complexa do que à primeira vista se poderia imaginar. Daí que, depois de se ter passado em revista as mais importantes abordagens das teorias da determinação dos salários, e de se ter procedido a uma revisão sumária das conclusões retiradas, na última década, nos estudos sobre a evolução e a dispersão dos salários em Portugal, se tenha seguido um quadro metodológico, proposto num estudo elaborado para a Espanha, na construção de equações explicativas do papel das variações da produtividade do trabalho na evolução dos salários.
No tratamento econométrico utilizado a validade das equações encontradas foi apenas aferida com base na significância das variáveis ensaiadas e no valor assumido pelo R2 ajustado. Apesar dos resultados não serem totalmente satisfatórios, já que as equações não se revelaram fiáveis em três sectores de actividade (Agricultura, Silvicultura e Pesca, Electricidade, Gás e Agua e Construção), suspeita-se que na Indústria e nos Transportes e Comunicações as variações das remunerações, no período em estudo, estiveram preferencialmente ligadas ao andamento da produtividade do trabalho, e que no Comércio, no Alojamento e Restauração, nas Actividades Financeiras e Imobiliárias e nos Outros Serviços os aumentos salariais parecem ter sido estabelecidos de forma relativamente independente dos ganhos de produtividade, estando antes predominantemente relacionados com os aumentos de salários nos restantes sectores da economia (salário alternativo).
Com a finalidade de esclarecer algumas das questões suscitadas pela utilização do salário alternativo, foram apresentados os principais traços da negociação dos salários nos vários sectores, bem como o grau de coordenação dos empregadores. Finalmente, são apontadas pistas de reflexão que poderão vir a ser úteis para um desenvolvimento futuro do tema em análise.
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