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Resumo:O presente estudo procura caracterizar a entrada no mercado de trabalho dos jovens recém licenciados na década de 90 utilizando um sistema de informação que permite acompanhar a trajectória de trabalhadores, empresas e estabelecimentos, construído com base na informação constante dos Quadros de Pessoal do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social.
Consideram-se como jovens recém licenciados que entram no mercado de trabalho num dado ano, os trabalhadores com menos de 30 anos que possuem como habilitações escolares o grau de licenciado e que estão presentes na base de dados pela primeira vez nesse ano. O universo analisado corresponde a cerca de 2 milhões de entradas no mercado, dos quais cerca de 110 mil são licenciados.
Para caracterizar a inserção laboral dos jovens licenciados, utiliza-se como grupo de comparação o conjunto dos trabalhadores com menos de 30 anos que entraram no mercado de trabalho nesse ano.
Ao longo do estudo, procede-se à caracterização dos jovens licenciados em termos de distribuição por géneros, por escalão etário e, quando possível, por área de licenciatura. Caracterizam-se igualmente os postos de trabalho por eles ocupados em termos sectoriais, regionais, de dimensão da unidade e posição na distribuição das remunerações. O estudo analisa ainda o percurso profissional, em termos de mobilidade de emprego e de mobilidade salarial, dos jovens licenciados nos momentos posteriores à entrada.
Como principais conclusões registam-se a maior incidência de trabalhadores do sexo feminino entre os licenciados; o predomínio das licenciaturas nas áreas das ciências económicas e empresariais; a relevância das empresas com 50 ou mais trabalhadores na absorção dos trabalhadores com habilitações escolares ao nível da licenciatura; a existência de um prémio salarial à entrada para os licenciados que os coloca nos 20% dos trabalhadores que entram no mercado de trabalho, nesse ano, com remunerações mais elevadas, verifica-se que, em média um licenciado quando entra no mercado de trabalho aufere um salário que é o dobro da média dos salários do conjunto dos trabalhadores que entrem nesse ano. Em termos de mobilidade de emprego, os resultados sugerem que os trabalhadores que possuem o grau de licenciatura registam, com maior probabilidade, situações de permanência no mercado de trabalho, com ausência de mobilidade ou com mobilidade de emprego, enquanto os não licenciados surgem mais vezes associados a situações de saída da base.
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