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Resumo:O estudo teve como objectivo genérico “analisar as questões ligadas à flexibilidade e segurança, nomeadamente em termos de identificação das transições dos trabalhadores no mercado de trabalho e a sua incidência sobre variáveis tais como: o nível de emprego, o nível de desemprego, a produtividade, os salários.”
De acordo com a metodologia de trabalho adoptada começou por fazer uma
caracterização genérica do tópico em análise, partindo-se depois para um estudo da
evolução temporal. A componente temporal não é menos importante pois ajuda a perceber
até que ponto é que a também comum percepção que temos dos mercados de
trabalho, não só o português, cada vez mais instáveis e inseguros, é corroborada pelos
dados disponíveis.
Como ponto de partida é apresentada uma análise comparada dos diferentes
aspectos que a literatura considera na caracterização dos conceitos da flexibilidade e
segurança no mercado de trabalho e um enquadramento legislativo da flexibilidade e
segurança em termos de identificação das transições dos trabalhadores.
Os dados apresentados vão no sentido de que não existem alterações estruturais
significativas em termos de um aumento da insegurança no mercado, muito embora
sejam evidentes os efeitos da inversão do ciclo económico nos processos de destruição
de empregos, que são muito menos evidentes na criação de emprego.
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É sabido que a rigidez do mercado de trabalho é um dos traços característicos
mais relevantes da economia portuguesa. A literatura sobre o tema aponta como
sendo consequência da rigidez do mercado uma menor “liquidez” no mercado,
expressa por uma menor expressão das transições entre emprego e desemprego,
mas também entre desemprego e emprego. Estas predições teóricas são validadas,
no essencial, pelos dados apresentados, embora se tenha identificado que
essa rigidez é assimétrica, na medida em que há trabalhadores que são muito
afectados por fenómenos de rotação (com relações mais precárias com o trabalho)
e outros que apresentam uma estabilidade muito significativa.
Importa ainda referir que no mercado de trabalho em Portugal há dois elementos que
condicionam negativamente a flexibilidade e que têm origem no elevado grau de protecção
dos contratos permanentes (em contraponto com uma comparativamente muito
menor protecção dos contratos não permanentes) e com a existência de fortes incentivos
que condicionam a mobilidade do desemprego para o emprego.
Os dados indiciam que o mercado de trabalho em Portugal consegue encontrar
respostas de ajustamento pela quantidade e pelo preço. Fica por demonstrar se a flexibilidade
existente é a necessária e a adequada às características do tecido económico e
sobretudo a que pode permitir suportar a sua necessária permanente reestruturação.
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